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Leandro Cunha
Somos imortais, viemos de Deus e a Deus voltaremos.
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R E S E N H A

LIVRO : A IGREJA E A REPÚBLICA
AUTOR : JÚLIO MARIA
CIDADE : BRASÍLIA, DF.
ANO : 1981
EDITORA : UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
PÁGINAS : 125

Júlio Maria é o pseudônimo de Júlio César de Morais Carneiro, padre que viveu ativamente entre os anos 1850 a 1916 deixando importante registro da história da igreja do Brasil. Nasceu em Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro, formou-se em Direito em 1874 pela Faculdade de Direito de São Paulo onde colou grau de doutorado um ano depois. Foi promotor público, casado por duas vezes e por duas vezes viúvo, pai de quatro filhos. Após a segunda viuvez, entrou para o seminário de Mariana, onde se preparou para ser sacerdote sendo ordenado em novembro de 1891. Redentorista, foi o primeiro brasileiro a participar desta Congregação.
O autor exerceu o seu ministério católico sob forte influência das encíclicas de Leão XIII e não foi um pároco passivo, pelo contrário, sua marcante personalidade político republicana é marca registrada de uma vida ativa. Seu passado político e sua visão social estavam sempre presentes em suas pregações e ações como clérigo.
Publicou inúmeros livros e artigos, sendo sua principal bandeira o ataque ao “comodismo” das sacristias. Júlio dedicou-se ao tema da religião no Brasil, a história da Igreja neste território, as realidades presentes, os diversos problemas sociais, políticos e contemporâneos e, como bom visionário, comentava sobre as consequências de tudo isso para o futuro do país e do povo brasileiro.
Seu trabalho mais expressivo entre nós está na redação de a “Memória sobre a Religião”, ícone em nossa historiografia. Como pregador, o autor buscava incessantemente juntar as ações da Igreja com as ações do povo de forma a “cristianizar” a democracia brasileira. Ele foi um precursor na defesa de nossos problemas sociais, essas eram, para Júlio Maria, as verdadeiras questões políticas.
O que é um historiador ? É uma pessoa que estuda e escreve sobre uma determinada passagem da história e é considerada uma autoridade no assunto. O historiador “clássico” apenas e tão somente registra os fatos de determinada época, faz uma narrativa metódica, não emite opinião, juízo de valores ou julgamentos. Júlio foge a esse padrão tradicional, ele não só narra os fatos, como comenta e participa ativamente deles ao se transportar para “dentro” da história.
Seu livro, um misto de história e memória pessoal : A Igreja e a República possui uma introdução, três capítulos, uma conclusão e um longo, mas fértil prefácio redigido por Anna Maria M. Rodrigues. No primeiro capítulo ele trata do período colonial; no segundo do período do império e no terceiro fala sobre o regime republicano, tendo sempre a história da Igreja do Brasil como protagonista. A Igreja, a sua história, os seus problemas, as suas dificuldades e as perspectivas. Na introdução ao livro, Júlio nos brinda com uma frase final magistral : “Como o rio chega ao oceano, a verdade chega à posteridade”.
No período colonial, o autor nos conduz até a celebração da primeira missa no Brasil, fala sobre a posse divina e faz uma brilhante defesa dos jesuítas no processo de colonização evangelização dos índios contra-argumentando a avalanche de críticas de diversos historiadores da época que os combatiam e diziam que os verdadeiros interesses eram riqueza e poder.
No período do império, Júlio trata de um tema delicado : o regalismo, que é a interferência do Estado nos assuntos da Igreja Católica. Isso foi marcante no Brasil e contribuiu de forma expressiva para a supressão da Companhia de Jesus (Jesuítas) no mundo todo, o que provocou um enfraquecimento das ordens religiosas e o desprestígio do clero.
No terceiro capítulo, ao falar sobre a chegada republicana e a salutar separação da Igreja e do Estado, surge uma nova era para o desenvolvimento do catolicismo no país. Respirando novos ares, a Igreja no Brasil, por intermédio de seu episcopado, adota um novo regime e conduz, apesar de alguns pequenos tropeços, melhor o seu “rebanho”.
Nas conclusões finais, Júlio faz, em forma de “fichamento”, uma crítica sobre os principais momentos históricos do país e, em fidelidade ao Papa, insiste e fundamenta as razões que o levam a proclamar as duas únicas forças no mundo : a Igreja e o povo. Recomendo a leitura deste livro por estudantes de teologia, ciências da religião ou mesmo por apaixonados pela história da Igreja. Vale a pena conferir. Boa leitura !

Leandro Cunha
 
Leandro Cunha
Enviado por Leandro Cunha em 23/09/2014
Alterado em 23/09/2014
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